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BRASIL, Centro-Oeste, BRASILIA, ASA NORTE, Mulher, de 36 a 45 anos, Portuguese, English, Livros, Cinema e vídeo
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Resolvi deixar um recadinho para algumas amigas que estão entrando no Blog e sentindo falta de atualizações...
Estou estudando para concursos públicos em período integral, e por enquanto não consegui criar uma rotina que incluísse um tempinho para meu hábito de escrever. Mas não posso viver sem esse espaço, ele já está incorporado ao meu patrimônio, principalmente porque aqui recebi muito carinho e atenção!
voltarei, com certeza, com mais fotos e comentários sobre O&P, sobre bipolaridade, e outros assuntos que discutimos aqui. Aguardem!!!!
Beijos a todas!


- Quem viu da Janela foi Carla às 21h44
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In my father's den



- Quem viu da Janela foi Carla às 20h08
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Minha última aquisição em dvd foi outro filme de Matthew Macfadyen, "In My father's Den" , ou, na tradução, Um Refúgio no Passado. Me dei de presente de aniversário, para ter mais um filme de MM, e foi com surpresa que assisti a essa produção neo-zelandeza. que já ganhou vários prêmios europeus, mas que não chegou ao circuito mundial. O filme é um triller psicológico contundente, com narrativa não linear, acompanhando os pensamentos da personagem principal, um fotógrafo de guerra renomado que volta à sua cidade natal após a morte do pai. No reencontro com a família, a ex-namorada e a cidade, Paul Prior vai se desvencilhando do véu que se interpôs entre ele e o passado que ele não gostaria de lembrar, marcado pela tragédia e traições. E se reencontra na companhia de uma adolescente, filha de uma antiga namorada. Essa amizade é mal vista por toda a cidade, e, com o desaparecimento da garota, Paul é o principal suspeito. O filme vai e volta na narrativa e desemboca num final que esclarece não só o desaparecimento da garota mas as tragédias familiares de Paul. É belíssimo, principalmente qdo trabalha o relacionamento de Paul e Celia, a jovem que sonha ser escritora e se transforma numa espécie de alterego do fotógrafo. Lindas paisagens, ótimo elenco, narrativa amarradinha, apesar das idas e vindas da história... e o final surpreende, ao mesmo tempo que é bonito, lírico...
O filme fala surperficialmente sobre a bipolaridade... a mãe de Paul era bipolar... mostra as conseqÜências disso no caráter dos dois filhos... ela não aceitou o tratamento... mas há algo mesmo intrínseco na dinâmica da doença. O turbilhão de emoções, as diferenças de humor e sempre a possibilidade, o risco, de por um fim a tudo. Tenho medo. Os dias de agora tem sido muito complicados. Sinto a fragilidade de não ter como voar. Estou presa às circunstâncias do meu passado também: dívidas, falta de trabalho, nem a minha casa é minha no papel... durmo horas seguidas tentando fazer o tempo passar...



- Quem viu da Janela foi Carla às 20h01
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O&P Again

Pensei ter encerrado esse assunto. Mas é uma mania. Tenho assistido a outros filmes bons, e às vezes questiono mesmo alguns detalhes técnicos de Orgulho e Preconceito. Claro que Wrigh (o diretor) não é tão genial como Almodovar, de quem assisti ao intrigante "Tudo sobre minha mãe", em cartaz no Telecine Cult. Almodovar conseguiu até fazer com que Penelope Cruz ficasse convincente no papel de uma HIV positiva. Não vou comentar "Tudo sobre...", teria que assistir mais algumas vezes pra dar qualquer pitaco, mesmo sendo esse blog um DIÁRIO PESSOAL, e nada pretenciosamente articulado sobre cinema ou sobre qualquer outra coisa.
Mas O&P ainda tem muito pano pra manga. Assisti novamente as cenas que mais me interessam no filme, como um roteiro do envolvimento de Mr. Darcy com Lizzy. Ele se ressente primeiramente do fato de estar gostando de alguém de um nível inferior ao dele, tenta renegar esse sentimento, afasta-se, isola-se, depois aceita e encara de frente, assume inclusive o fato de se sentir mal em gostar dela, e ao se declarar mostra exatamente todo esse preconceito. Ele é sincero consigo e com a companheira, mesmo que seus sentimentos sejam pouco evoluídos. Como ela o rejeita exatamente pelo seu orgulho e preconceito, ele vai atrás de mudanças, e continua alimentando sentimentos de ternura e admiração. Não espera que ela os retribua. Não pensa em refazer a proposta de casamento. Escreve cartas dizendo as suas verdades, esclarece os fatos, mostra consideração para com ela e seus parentes. Porque ama. Porque se ama também e percebe que tem que evoluir. Lizzy significa para ele a evolução.
A identificação que faço com Mr. Darcy tem muito a ver com a bipolaridade. Percebi isso assistindo essa sua evolução, sem prestar muita atenção ao restante do filme. O bipolar primeiro se vê como algo estranho, tenta renegar a doença, afasta-se, isola-se das pessoas, quando aceita e encara de frente, muita gente já o vê como maluco (como, no caso de Darcy, já o viam como "posudo"). Vc tenta ser sincero e admitir que errou, e acaba sendo responsável por tudo de errado que aconteceu ou for acontecer dali por diante. Pode desistir aí, mas se fizer o caminho de Mr. Darcy, se for atrás de mudanças, e se abrir ao diálogo com o outro, permitindo que ele veja as suas limitações, que vejam sua evolução, mas sempre permanecendo fiel aos seus sentimentos e sonhos.
Não sei se faz muito sentido para quem está lendo... para mim está repleto de significados. Perdi muita coisa por conta da bipolaridade. E muito ódio cresceu em mim, queria me afastar do mundo. Depois compreendi que deveria voltar a amar, e permanecer fiel a esse sentimento. O I Ching traduziu isso no hexagrama "A Jovem que se Casa", quando lhe perguntei o que vai acontecer agora que descobri que vou ser bipolar para sempre. Fidelidade aos sentimentos. Meu último scrap destilava raiva e incompreensão. Estou renegando o que disse. Amo todas as pessoas que já foram importantes na minha vida.


- Quem viu da Janela foi Carla às 23h16
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A sua falta de escrúpulos se impregnou de mim...O cheiro encardido da sua falta de pudor e da sua pouca sensibilidade...Sinto enojada o hálito irráscível do seu último beijo, como o de Judas... pobre Judas, que ainda tinha uma Missão digna. Você não tinha nada além de preservar as calças que vestia.

Sinto o amor que aninhou o meu peito junto ao seu, que abrigou suas tralhas ao lado das minhas preciosidades, dos meus filhos. Amor que hoje destilo cada gota como um veneno, que sorvo cada gota para esquecer seu nome. Esquecer sim, já que a miséria que me toma agora a alma já se alinha num ataque feroz contra a sua pessoa, e eu não quero vingança. Não quero me sujar na mesma lama onde vc se banhou por inteiro.



- Quem viu da Janela foi Carla às 21h01
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Mr. Jones



- Quem viu da Janela foi Carla às 21h51
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Assisti ao filme Mr. Jones, com Richard Gere, "o" filme sobre a bipolaridade. A primeira impressão foi uma ansiedade tremenda. Mal conseguia ficar diante da TV, principalmente nas crises de mania (quando ele ficava fazendo loucuras como andar pelos andaimes de uma construção), ou quando ele estava internado, e completamente desnorteado por se encontrar juntamente com um monte de gente que vivia uma outra realidade. Algo muito marcante, que sinto agora que estou seguindo a meses o tratamento químico: num determinando momento, ele pede para sair do hospital, e para parar de tomar remédios. Ele diz que precisa da adrenalina que sente quando está no período da mania ... qdo se sente poderoso, capaz... a psiquiatra diz que a contrapartida é da depressão, e ele diz que é o preço a pagar, mas que não aguenta sentir aquele vazio, aquele nada que se instala qdo está sob o efeito da química.

Cara, como isso bateu forte em mim! Tenho saudades de um período da minha vida em que eu tinha gana de viver, mesmo estando em permanente montanha russa. A paixão, a força motriz que me levava a estar sempre disposta, a gana de viver e cuidar dos meus meninos, da minha casa... tudo isso agora está morto dentro de mim. Acordo tarde, e sinto uma enorme vontade de dormir e sonhar, porque os acontecimentos do dia não me levam a nada, e tudo tão mínimo... sinto que é o efeito do remédio, e desta vida mesquinha pela qual tive que optar para dizer que estou estável.

O filme não mostra um "happy end" pra isso.  A psiquiatra se apaixona por ele assim, com as suas crises, e com essa sua vontade de viver tudo intensamente.

Estou tentando evitar isso o tempo todo... tentando seguir o caminho do suave, sem paixões, do seguro, do certinho... mas hoje me deu um aperto no peito... como se soubesse que não vou ser feliz...



- Quem viu da Janela foi Carla às 19h34
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Assisti ao "Clã das Adagas Voadoras" e ao épico romântico "Pavilhão de Mulheres". Serendipity, uma coincidência formidável quando estou na transição da obsessão de Pride and Prejudice. Além de não serem filmes hollywoodianos, têm em comum a centralização no universo feminino e a linha romântica do encontro que transforma, estabelece outra universo a partir da entrada do amor romântico em cena. Engraçado porque estou procurando estabelecer relações com o universo mais material, ligado às relações profissionais, e sempre me deparo com essa temática. É como se o universo conspirasse para que eu alimentasse esse ser romântico que sempre deliberou sobre as transformações que haviam de acontecer na minha vida.
O "Clã.." é um filme belíssimo, cores e movimentos acontecendo poéticamente na tela, e os diálogos carregados com as simbologias orientais (a idéia de ser como o vento, de ir e vir solto e leve, numa época de guerra interna onde todos eram comandados por alguém, é muito linda!). Não gostei do final, mas acho que teria que ver novamente, os remédios para dormir já estavam fazendo efeito...
"O Pavilhão de Mulheres" não é apenas uma história de amor impossível (entre a esposa chinesa de um aristocrata e um padre americano). É a história mesmo do amor universal, o amor incondicional pelo outro, através da caridade, da solidariedade, da comunhão. É lindo, apesar de cair um pouco na pieguice (principalmente o final açucarado a lá filme sessão da tarde da Globo). Me fez pensar mesmo nessa necessidade que tenho absurda de voltar a trabalhar com terceiro setor. Pesquisas indicam que esse tipo de amor gera um prazer com prazo de validade mais extenso do que qualquer outro (do que uma boa transa, ou um carro novo, uma promoção no emprego)...
E são filmes chineses, trazendo essa mentalidade oriental, budista, outra coisa que me atrai.

- Quem viu da Janela foi Carla às 14h10
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Nana em Maceió



- Quem viu da Janela foi Carla às 21h04
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"Olho em redor do bar em que escrevo estas linhas.
Aquele homem ali no balcão, caninha após caninha,
nem desconfia que se acha conosco desde o início
das eras. Pensa que está somente afogando problemas
dele, João Silva... Ele está é bebendo a milenar
inquietação do mundo!"
Mário Quintana
Pois é... vamos beber as inquietações do mundo neste fds hehehe... Nandinha está chegando para a Páscoa, temos muito o que ver juntas, o que conversar... talvez um pulinho em Piri para relembrar amigos e lugares. Depois, a volta para o cursinho... e até este espaço vai ficar mais vazio de notícias minhas.

- Quem viu da Janela foi Carla às 21h00
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Curiosidade O&P



A cena do beijo entre Darcy e Lizzy só aparece no final da versão exibida nos cinemas americanos. Pelo que soube, o fato se deve a estas pesquisas feitas antes do lançamento, onde se constatou que o mercado americano exigia uma cena mais "apimentada". O original inglês não traz cenas de beijo para não ferir os sentimentos das fãs mais rigorosas de Jane Austen, a escritora. O livro, é claro, não traz nenhum beijo nem maiores intimidades, pela época em que foi escrito. Aqui no Brasil a versão apresentada nos cinemas é a inglesa, mas o dvd deve trazer a cena do beijo. O filme é lindo e sensual mesmo sem ...

- Quem viu da Janela foi Carla às 22h24
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O&P análise 2

Nesse momento da terapia pudemos conversar mais claramente sobre o sentido da palavra orgulho. Estamos sempre em busca de sensações que satisfaçam o nosso ego. Ele é o nosso imperador, o motor de nossas ações. Mr. Darcy é um exemplo ocidental da filosofia budista do desapego ao ego. Ele admira Lizzy acima de tudo, e encara até situações desagradáveis para proporcionar a sua felicidade. Sabemos, também pelo livro (e uma passagem pequena do filme), que ele é assim desde menino, com relação aos seus empregados. Não prevê nenhuma satisfação pessoal... depois de ser rejeitado pela amada, não tem intenções de renovar sua proposta. Só o faz quando, ao saber da conversa da tia com Lizzy, percebe no ar alguma esperança.

Pois é... meu pai sempre foi um homem bom... mas sua figura se dissipou no meio da necessidade de ter alguém mais forte, e minha mãe ocupou totalmente o universo familiar. Engraçado... agora que me dei conta... ele era um Mr. Darcy...no sentido de alguém despojado do seu ego, no final da vida ligado essencialmente a satisfação da sua família, sem esperar nada em troca (estava separado da minha mãe, morando longe). Talvez fosse o seu "duplo", o lado negativo, aquele que se nega pelo outro, se desvaloriza, se diminui. Ele precisava achar o seu lado "Lizzy", a determinação e a coragem...

Já escrevi aqui anteriormente que, desde o início, sempre desejei achar Mr. Darcy dentro de mim, sobretudo. Meu animus, a parte masculina da minha alma. Acredito que ele está aí, mas ainda é um menino, bonito, espirituoso e brincalhão hehehe.

Um parêntese se abre na terapia para lidar com uma questão bem mais objetiva e pessoal.No meu segundo casamento fui totalmente arrogante, minha Lizzy com TPM constante (risos) tripudiou o meu companheiro. O filme me permitiu enxergar muito disso. Sei que em parte a bipolaridade teve sua participação, mas houve muito de orgulho e preconceito. Estou fazendo um mea culpa público aqui, não só por mim, mas por muitas ações da minha família, que se colocou como de uma classe e de um status acima... logo nós, que sempre fomos baluartes da igualdade social... Iuri, meu querido, já lhe disse muitas vezes que sinto muito. Na terapia comentamos isso também... sempre me senti culpada pelos fim da nossa relação. Hoje sei que fui adiante, como Mr. Darcy, eliminando tudo que tinha de ruim, admirando cada vez mais vc, querendo o seu bem acima de tudo... vc nunca expôs claramente o que sentia, e isso nos afastou definitivamente... hoje sinto o fato de não poder nem ser sua amiga...

Bom... está aí... acho que agora posso finalmente me apaixonar por outra coisa hehehhe... fui fundo e fico feliz por isso, sabia que aquelas horas e horas de filme me valeriam alguma coisa. Espero que seja de serventia para mais alguém!

 



- Quem viu da Janela foi Carla às 21h59
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O&P análise

Hoje dormi quase que 15 horas initerruptas. É o ciclo acontecendo novamente, e infelizmente, me tirando dos meus objetivos. Meu corpo pede apenas cama, minha mente está recheada de imagens oníricas que não fazem o menor sentido para mim. A noite veio me trazer de volta ao mundo. Ia assistir novamente O&P no telão mas estou sem coragem de sair de casa, parece que a realidade não me comporta. Resolvi enfrentar o desafio de escrever, é algo que me distrai.

Depois de resumir o filme aí embaixo (as passagens mais significativas), acredito que dá pra falar um pouco sobre a discussão com a terapeuta sobre o fascínio que esta história tem produzido em mim e em outras milhares de mulheres no mundo inteiro. Fascínio esse que começou com o livro, e atravessa muitas gerações, sendo que o livro é considerado na Inglaterra o mais feminino já escrito e o mais romântico também, e é o 2º livro mais livro no país (perdendo apenas para "O Senhor dos Anéis", justificadamente).

Começamos falando de algo que não havia chamado minha atenção no início: a importância do universo feminino, representado pela família Bennet, composta por um pai (castrado em sua autoridade por uma mãe histérica), sua mulher e suas cinco filhas. Esse universo feminino é uma constante nos dias atuais, onde as mulheres povoam o mundo em maior número, e ocupam mesmo posições relevantes no trabalho e dentro do próprio seio familiar, muitas sustentando sózinhas suas famílias. Esse pai omisso, despojado de seu status, é o estereótipo da figura masculina dentro de muitas famílias (e na minha isso fica muitíssimo claro). Daí que muitas mulheres hoje se vêem no dilema de encarar este papel, o de ser "macho", no sentido de ter que prover, de enfrentar o mundo externo para proteger os seus, e ao mesmo tempo perpetuar a imagem feminina de ser mulher, nutrir emocionalmente a família, gerar e proporcionar carinho aos filhos... Se, no filme, a mãe luta por casamentos promissores para suas filhas, não é de se espantar que hoje as mulheres sejam educadas para lutar por suas profissões, para competir de igual para igual com os homens no mercado de trabalho. Será que muitas, então, não idealizam um projeto de companheiro que possa modificar esse paradigma, senão colocando-as novamente dentro de casa (o que ninguém imagina possível, realmente), mas trazendo certo conforto social e material, resolvendo os problemas com o mundão lá fora, para que elas possam novamente se voltar para a nutrição emocional e afetiva da família?

Mr. Bennet, ao questionar a filha sobre a sua relação com Mr. Darcy, no final, alerta para o fato de que ela, inteligente, independente e determinada, precisaria de um companheiro que pudesse respeitar. Pelo que tenho visto nas comunidades do filme, as mulheres estão aflitas porque não conseguem encontrar nos companheiros alguém que possam admirar como admiram Mr. Darcy. E o que ele tem de tão interessante?

Mr. Darcy se apaixona por Lizzy justamente pela sua independência, sua determinação, sua inteligência. Não quer competir, quer somar. Percebe que esta mulher, mais do que qualquer uma daquelas que o bajulam pela sua riqueza e poder, pode fazê-lo crescer, como acontece realmente ao longo do filme. Em contrapartida, Mr. Darcy significa para Lizzy alguém disposto a ajudá-la a permanecer dona de seu nariz sem que isso signifique solidão (Lizzy, no início do filme, diz que pressente que vai ficar pra titia). E mais... Darcy está disposto a ser seu escudo de proteção no mundo. Acho que muitas mulheres (e eu me incluo nesse rol) gostariam que as relações afetivas resgatassem de forma menos rígida essa divisão de papéis.

Li um artigo no caderno Mais ("A Família Trapo", sobre o livro "Sexo e Poder", de Göran Therborn, com ensaio de Eric Hobsbawm), que os sistemas familiares, depois da revolução sexual, saíram do seu equilíbrio e são perturbados por contradições internas e externas. Se essas rupturas não forem administradas por processos de reequilíbrio ou reestabilização, "surge a necessidade de uma nova mudança (...), uma nova fase em que se define uma direção para mudar e organizar novamente a instituição." Mas, isso não acontecendo, "haverá um período mais curto ou mais longo de anarquia, depois do qual a instituição em questão mudará (inclusive desaparecendo) ou retornará a sua forma anterior". Está claro que hoje vivemos um caos social que, tirante o fator crítico da desigualdade social, está também intríseco o fato de ele se manifesta em termos celulares, na descontituição do elemento aglutinador da família. De certa forma isso justifica o fato de que aconteçam crises profundas não apenas em famílias de classes mais desfavorecidas.

Daí tiro meu pitaco de que o que essas mulheres, que sonham com o seu Mr. Darcy aparecendo do fog entre as campinas, o que essas mulheres esperam é que esse sistema seja reequilibrado novamente, que elas possam respirar, que a nova reestruturação de papéis tire de seus ombros o peso de ter que ser "macho" e "fêmea".

Os homens se assustam diante dessas mulheres, competem com elas por uma vaga no mercado de trabalho, não expõe claramente seus sentimentos feridos pela arrogância com que elas de vez em quando se expressam para impor seus valores. Aí está o diferencial de Mr. Darcy, que vai trabalhar a arrogância viril que lhe ensinaram desde menino, e (no filme isso transpassa belamente) expõe para sua amada suas limitações, seus medos, sua insegurança... Abre o diálogo... se permite rever... e, outra questão fundamental, aí ligada mesmo a questão mais genérica do amor: è dedicado à pessoa amada, procurando gerar elementos para a sua felicidade, sem ter mesmo esperanças de que, com isso, receba como recompensa o afeto retribuído.



- Quem viu da Janela foi Carla às 21h56
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O&P



No nascer do sol

- Quem viu da Janela foi Carla às 16h40
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O&P 2

(continuando...)
Quando parece que eles caminham pra um final feliz, Lizzy recebe uma carta de Jane dizendo que sua irmã mais nova, Lídia, fugiu com Mr. Wickhan e está perdida... Isso para as outras irmãs era uma tragédia, pois nenhum outro homem poderia se interessar por alguém que tivesse na família uma história em tal proporções. Darcy ouve o relato de Lizzy constrangido, e diz que tem que deixá-la. Parece que tudo está perdido pra pobrezinha... Os tios levam Lizzy pra casa e tentam ajudar seu pai a encontrar os fugitivos. Chega a notícia que Wickhan concordou em casar com Lídia, e fica patente que aceitou um belo dote para que isso se consumasse (que deve ter sido pago pelo tio).
Bom, o jovem casal vem visitar a família, e Lídia deixa escapar que foi Darcy quem os encontrou e pagou o dote pretendido pelo noivo. Logo Darcy, que tinha profundo desprezo por Wickhan, teve que entrar em profundas negociações com ele pra resolver a demanda.
Darcy também resolve o relacionamento da irmã mais velha de Lizzy com seu amigo, Mr. Bingley, indo com ele pessoalmente pedir a mão da moça. Lizzy está emocionada, mas pasma com a sua frieza e distanciamento: ele diz que não vai se demorar na cidade e vai embora assim que tudo fica resolvido. Então Lizzy recebe a visita da tia de Darcy, Lady Catherine, que vem exigir explicações sobre o boato que ouviu sobre o fato de seu sobrinho estar noivo de Lizzy. E pede a moça que prometa que nunca ficaria noiva de Darcy, o que ela se nega a fazer.
Resultado... Lizzy não consegue dormir aquela noite, e sai passeando pela campina... qdo o sol já está pra nascer, ela percebe que Darcy está vindo, caminhando ao seu encontro, também com cara de quem não dormiu e nem se preocupou muito em se vestir adequadamente. Ele diz que soube da visita da tia, e pergunta a ela como reparar tanta grosseria. Ela rebate dizendo que, depois do que ele fez por Lídia e por Jane, é ela que precisa fazer reparações. E ele esclarece o óbvio: que fez tudo por ela, que seus sentimentos continuam os mesmos... que a conversa com a tia tinham dado novo fôlego às suas esperanças. Pergunta se os sentimentos dela continuam os mesmos, pois assim sendo, ele se calaria para sempre.(Lizzy sorri) Senão, se os sentimentos tivessem mudado, ele só tinha a dizer que tinha sido enfeitiçado, corpo e alma, e que não queria se afastar dela daquele dia em diante.
Lizzy não consegue dizer nada (no livro, ela mal consegue olhar pra ele - bem próprio da época), mas beija sua mão e diz que ela está fria, e a cena se fecha com os dois, cabeças unidas, um sol nascendo atrás, e toda a tensão de desejo agora sim girando solta e gostosamente no círculo formado pelo casal.
O final do filme é a surpresa da família de Lizzy com a presença de Mr. Darcy ali, pedindo a mão de Lizzy em casamento.

Uma história de amor... difícil entender que uma mulher madura como eu (e outras que acompanho no orkut, maduras, jovens, adolescentes), tenha se tornado fã tão dedicada do filme, do livro, da série... Longe de ter a resposta, estou caminhando seguramente para alguns pontos importantes, e a ajuda da terapeuta me rendeu novas chaves... mas vai ficar pra amanhã!!!

- Quem viu da Janela foi Carla às 16h33
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